maguinha

 
 

Earth & Sky/Terra & Ceu

Maguinha
0000-00-00
Caetano Veloso

Lyrics

Canto do Povo de Um Lugar

 

Todo dia o sól levanta

E a gente canta

ao sól de todo dia

Finda a tarde a terra cora

E a gente chora

Porque finda a tarde

Quando a noite a lua mansa

A gente danca

Venerando a noite

 

Translation:

Every day the sun rises

And we sing

To the sun of every day.

At twilight the Earth blushes

And we weep

Because it’s the end of the twilight.

When at night the moon is serene

We dance

In worship of the night.

 

 

GEMA 

Brilhante ê

De noite dentro da mata

Na escuridão luz exata vejo você.

Divina ê  

Diamantina presenca

Na solidão de quem pensa só em você.

Esquecer? Não.

Revelação.

Deixa eu ver

Pedra-clarão na floresta

Gema do olho da festa

Deixa eu saber.

Meu amor, dona da minha cabeca,

Não nunca desapareça do seu amor.

Estrela ê

Na taça negra da sela

Gota de luz sobre a relva

Meu bem-querer

Lua-sol ê

Centro do meu pensamento

Meu canto dentro do vento

Busca você

Esquecer? Não.

Esconder? Não.

Brilhante ê

De noite dentro da mata

Na escuridão luz exata, vejo você.

Maguinha
2005
Luiz Gonzaga and Humberto Teixeira

Lyrics

Tudo em vorta e só beleza

Sol de abril e a mata em frô

Mas Assum Preto Cego dos zóio

Num veno a luz, ai! canta de dor.

Tarveis por iguinoranca ou mardade das pio

Furaro os zóio do Assum Preto

Pra ele assim ai, cantá mió.

Assum Preto veve sórto

Mas num pode avoá

Mil veiz a sina de uma gaiola

Desde que o céu, ai! pudesse oiá

Assum Preto meu cantar é tão triste quanto o teu

Tambem robaro o meu amor

que era a luz, ai! dos zóio meu

Tambem robaro o meu amor

que era a luz, ai! dos zóio meu!

 

Translation: 

All around is pure beauty

April sun and the forest in bloom

But Black Bird, Blind of his eyes,

Not seeing the light Sings from the pain.

Maybe out of ignorance or of the worst kind of meanness

They gouged out the Black Bird’s eyes

So he could sing better.  

Black Bird is always roaming

But he cannot fly away

A thousand times better

The fate of living in a cage

As long as he could see the sky

Black Bird my singing

Is as sad as yours.

My love was also taken away

And he was the light of my eyes. 

Maguinha
2005-00-00
H.Villa-Lobos and T.Calazans

Lyrics

Oh, mana deixa eu ir

oh, mana eu vou só,

oh mana deixa eu ir

para o sertão do Caicó.

 

Eu vou cantando com uma aliança no dedo

eu aqui só tenho medo

do Meste Zé Mariano

Mariazinha botou flores na janela

Pensando em vestido branco

véu e flores na capela

oh mana, deixa eu ir

oh mana, eu vou só...

oh mana, deixa eu ir

para o sertão do Caicó

 

Translation:

Oh, sister let me go

 Oh, sister I’ll go alone

Oh, sister let me go

To the Caicó backlands.

I sing as I go along,

I have and engagement ring on my finger.

Here I am only afraid of Master Zé Mariano.

Mariazinha placed flowers on the window sill

As she thought of a white dress

a veil and flowers in the chapel.

Oh, sister let me go

Oh, sister I’ll go alone

Oh, sister let me go

To the Caicó backlands

 

Maguinha
2005-00-00
Edu Lobo and Ruy Guerra

Lyrics

Por amor andei já

Tanto chão e mar

Senhor, já nem sei,

Se o amor não é mais

Bastante pra valer

Eu ja sei o que vou fazer

Meu senhor uma oração

Vou cantar para ver se vai valer

Laia la daia sabatana Ave Maria

Laia la daia sabatana Ave Maria

Oh meu Santo Defensor,

Traga o meu amor..

Laia la daia sabatana Ave Maria

Laia la daia sabatana Ave Maria

 

Se é fraca a oração

Mil vezer cantarei

Laia la daia sabatana Ave Maria

Laia la daia sabatana Ave Maria

 

Translation:

For love I have wandered

Over much land and sea.

Lord, I don’t even know

What’s become of Love.

I know what I will do:

Oh Lord, I will sing a prayer

To see if will work.

Laia la daia sabatana Ave Maria

Oh my Protector Saint,

Bring back the Love.

Laia la daia sabatana Ave Maria

If my prayer is weak

A thousand times I’ll sing

Laia la daia sabatana Ave Maria

Maguinha
2005-00-00
Carlos Lyra and Vinicius de Moraes

Lyrics

Nasci la na Bahia de mucama com feitor

Meu pai dormia em cama minha mae no pisador.

Meu pai só dizia assim “venha cá”

Minha mãe dizia “sim” sem falar

Mulher que fala muito perde logo o seu amor

Deus fez primeiro o homem e a mulher nasceu depois

por isso é que a mulher trabalha sempre pelos dois.

Homem acaba de chegar tá com fome

A mulher tem que olhar pelo homem

E é deitada ou em pé, mulher tem é que trabalhar

O rico acorda tarde já comeca a rezingar

o pobre acorda cedo já comeca a trabalhar

Vou pedir ao meu Babalorixá

Pra fazer uma oração pra Xangô

Pra por pra trabalhar gente que nunca trabalhou.

 

Maria Moita (Bush Mary)

(Translated English version by Alph Edwards and Magda Machado from the original lyrics by Vinicius de Moraes)

 

My father was a foreman and my mama was a slave

My father slept in bed and on the floor my mama stayed.

Papa used to say girl come here to me

She would rise and go to him, silently.

A slave girl in Bahia knows the hardness of the floor.

A slave girl in Bahia Just says Yes sir, nothing more.

God made the man to rule the Earth and women just to serve

And so the women always do the work they don’t deserve.

When it is supper time he must have his food

And then later on he gets in the mood

On her back or her feet she always gives him what he needs

Hear her laugh a hollow laugh while in her heart she only bleeds.

The rich man gets up late and he begins, then, to complain.

To poor gets up at dawn and works in pleasure or in pain.

So I beg of you Babalorixá

Make a prayer for me to old Lord Xangô

To put to work those lazy men who never worked before

And when the day is over, make them sleep down on the floor.

Maguinha
2007-00-00
C. Netto and E.Gudin

Lyrics

Quem pergunta por mim

Já deve saber do riso no fim de tanto sofrer

que eu não desisti das minhas bandeiras

Caminhos, trincheiras, da noite!

Eu que sempre apostei na minha paixão

Guardei um pais no meu coração

um foco de luz seduz a razão

De repente a visão da esperanca

quis esse sonhador, aprendiz de tanto suor, ser feliz

Num gesto de amor meu país acendeu a cor.

Verde as matas no olhar, ver de perto, ver de novo um lugar,

ver adiante sede de navegar verdejantes tempos

mudanca dos ventos no meu coração...

 

Translation:

Those who ask about me, must already know

That at the end of so much suffering, there’s laughter.

That I never gave up on my flags, on my path,

Never left the trenches, not the night-singing

I, who against all odds pursued my passion,

Kept my homeland in my heart.

A ray of light has seduced reason

A sudden vision of hope overtook this dreamer.

This hard-working apprentice has chosen to be happy

In a gesture of love, my homeland’s colors came to life.

Green, the forest in my eye, to see it up-close, too see a place again

To see the way forward, a desire to sail onward, a time for greening

A change of the winds has come to my heart.

Maguinha
2005-00-00
Edu Lobo and Gianfrancesco Guarnieri

Lyrics

Se a mão livre do negro tocar na argila

o que é que vai nascer?

Vai nascer pote pra gente beber

Nasce panela pra gente comer

Nasce vasilha nasce parede

nasce estatuinha bonita de se ver

Nasce vasilha nasce parede

nasce estatuinha bonita de se ver!

Se a mão livre do negro tocar na onça

o que é que vai nascer?

Vai nascer pele pra cobrir nossas vergonhas

nasce tapete pra cobrir o nosso chão

nasce caminha pra se ter nosso oialê

e atabaque pra se ter onde bater

nasce caminha pra se ter nosso oialê

e atabaque pra se ter onde bater!

Se a mão livre do negro tocar na palmeira

o que é que vai nascer?

Nasce choupana pra gente morar

e nasce rede pra gente se embalar

Nasce esteira pra gente deitar

e nasce os abano pra gente abanar

Que é pra gente abanar, pra gente abanar

Que é pra gente abanar, pra gente abanar!

 

Translation:

When the black man’s hand touches the clay,

What comes out of it?

A jug, so we can drink, a pan, so we can eat

Pots and walls, a little statue, beautiful to see!

When the black man’s hand touches the jaguar

What comes out of it?

A skin to cover up our shame, a rug to cover our floor

A bed to roll on with our lover, and a drum for us to beat!

When the black man’s hand touches the palm tree

What comes out of it?

A hut where we can live, a hammock to rock us to sleep

A mat for us to lie on, and fans so we can fan ourselves!

 

Maguinha
2005-00-00
Marcos Valle and Paulo Sergio Valle

Lyrics

Segue, nessa marcha triste seu caminho aflito

leva só saudade e a injustica que só lhe foi feita

desde que nasceu pelo mundo inteiro - que nada lhe deu!

Anda, seu caminho é longo

cheio de incerteza tudo é só pobreza,

tudoé terra morta, onde a terra é boa

o senho ré dono - não deixa passar!

Pára, no final da tarde, tomba já cansado

Cai o nordestino, reza uma oração

pra voltar um dia e criar coragem

pra poder lutar - pelo que é seu

Mas, o dia há de chegar em que o mundo vai saber

Que não se vive sem se dar

Quem trabalha é que tem direito de viver

pois a terra é de ninguém

 

Translation:

He goes on with his sad march, his troubled journey

Taking with him memories and the injustice

That has been done onto him since his birth

By a world that gave him nothing

He walks, his road is long, filled with uncertainty

All is poverty, all is dead land

Where the land is fertile, the owner is master

And the fence keeps him out.

The Northeastern stops, at the days end,

Stumbles exhausted, falls and says a prayer

That one he will come back

With the courage to fight for what is his

But the day will come when the world will know

That we cannot live without giving

Those who work have the right to live

Because the land belongs to no one

Maguinha
2005-00-00
F.Venturini and M.Antunes

Lyrics

Clareia, manha

O sol vai esconder a clara estrela ardente

Pérola do céu refletindo teus olhos

A luz do dia a contemplar teu corpo

Sedento, louco de prazer e desejos ardente

 

Translation:

Morning has come

The sun is about to hide away

The brightest star pearl in the night

Reflection of your eyes

The light of day contemplates your body

Thirsty crazed with passion, burning with desire

Maguinha
2005-00-00
Marcos Valle e Paulo Sergio Valle

Lyrics

A mão que toca o violão se for preciso

faz a guerra, mata o mundo, fere a terra.

A voz que canta uma canção

Se preciso canta um hino, louva a morte.

Viola em noite enluarada no sertão

é como a espada, esperança de vingança.

O mesmo pé que dança o samba

se preciso, vai à luta: Capoeira

Quem tem de noite a companheira

Sabe que a paz é passageira

P’ra defendê-la se levanta e grita: Eu vou

Mão , violão, canção, espada, e viola enluarada

Pelo campo e cidade

Porta-bandeira e capoeira desfilando vão cantando:

Liberdade! Liberdade! Liberdade!

 

Translation:

 The hand that plays a guitar,

If it needs be, will wage war,

Will kill the world, will wound the earth.

The voice that sings a song, if needs be,

Will sing a hymn, will praise death.

In the backlands, a guitar in a moonlit night

Is like a sword, a hope for vengeance.

The very foot that dances the samba,

If needs be, will join the fight in Capoeira!

Whoever has a lover in the night

Knows that peace is fleeting

And to protect her he rises up

And cries out: Count on me!

Hand, guitar, song, sword and viola* in the moonlight

Through the fields and through the city

Porta-bandeira, capoeira in the parade, go on singing:

Freedom! Freedom! Freedom!

 

*viola - guitarlike instrument whose number of strings varies between five and fourteen, popular with players in rural areas.

**Porta-bandeira- the samba school standard-bearer.

*** Capoeira- Afro-Brazilian martial art/dance brought to Brazil by slaves, performed to singing and the playing of berimbaus, pandeiros and other percussion 

 

Maguinha
2005-00-00
Milton Nascimento e Fernando Brant

Lyrics

Ponta de Areia, ponto final

Da Bahia-Minas, estrada natural

Que ligava Minas ao porto, ao mar

Caminhos de ferro mandaram arrancar

Velho maquinista com seu bone

Lembra o povo alegre que vinha cortejar

Maria Fumaca não passa mais

Para moças, flores, janelas e quintais

Na praça vazia, um grito, um ai!

Casas esquecidas.

Viúvas nos portais.

 

Translation:

Ponta de Areia, last stop

Of the Bahia-Minas Natural road

That linked Minas to the harbor, to the sea

The railway tracks were pulled-out by order

The old locomotive engineer, cap on,

Remembers the cheerful and welcoming people.  

Smoky Mary no longer passes by

Girls, flowers, windows and backyards.

In the empty square: a scream, a cry!

Forgotten houses.

Widows in doorways.